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Esse ano completo 14 anos com um diagnóstico de síndrome do pânico. Minha primeira crise foi aos 27 anos, eu havia me mudado para uma cidade do interior em busca de uma vida mais tranquila, tinha as meninas menores e vivia sozinha.

Viver uma vida toda em grandes metrópoles e mudar para o interior pode ser assustador, eu viva esperando quando invadiriam a casa, que era de rua e sem grades, pela janela de madrugada e coisas terríveis aconteceriam. O simples e inocente do interior pra gente acostumado a viver com medo e pânico diário é desesperador, demora até voce se encaixar. E eu não me encaixei.

Aliado a falta de perspectiva que uma vida no interior trás, eu sentia me enterrando e as meninas também. Os colegas na escola eram extremamente limitados intelectualmente, até as professoras eram muito fracas para ensinar e reconheciam que a escola não tinha condições de manter a boa educação que as meninas tinham. Eram ótimas pessoas, generosas, educadas, mas me peguei pensando que formação minhas filhas teriam, que oportunidades iriam construir morando e estudando em um lugar tão simples.

O silêncio, a falta de violência e o ar puro não eram suficientes. E penso que para os pais que tiveram educação e oportunidades e escolheram esse voto de simplicidade, de viver com menos esteja tudo bem, mas acabo achando injusto obrigar os filhos a isso. Invariavelmente quando terminar os estudos básicos esses adolescentes irão embora do interior e voltarão a cidade grande para faculdade e melhores oportunidades de trabalho, afinal viver numa cidade pequena e ouvir o canto dos pássaros somente, não foi uma escolha deles. E a questão de violência e afins vai continuar existindo. Acho que a vida no interior é um pouco romantizada.

No meio dessa piração toda, um belo dia comecei a sentir falta de ar, um aperto no peito, frio, muito medo, um gelado na nuca e a sensação de que ia morrer a qualquer momento. Estava sozinha em casa e telefonei pedindo ajuda a alguns conhecidos que moravam próximo que me levaram ao hospital, eu mal conseguia andar.

Todos os exames possíveis realizados e o diagnóstico foi crise nervosa. Queriam me dar um calmante e mandar pra casa, afinal todos os exames mostravam que eu estava bem. Eu não tomo calmantes, mal tomo remédios, discuti com o médico que não tomaria, por fim venci. Fui pra casa e no dia seguinte segui a uma consulta ambulatorial, afinal tinha ido na emergência. Eu não tinha nenhuma energia, mal conseguia parar a cabeça em pé, tava muito mal. Depois de me ouvir, ela disse que eu tive uma crise de pânico, passou um Rivotril à noite e um polivitaminico de dia.

Eu nunca tinha ouvido falar disso. Comprei o Rivotril e o polivitaminico e usei por 3 dias. Joguei tudo no lixo. O Rivotril me dava uma ressaca no dia seguinte terrível e a noite me dopava de uma forma que se a casa caísse eu não ouviria e eu era a única adulta ali, era a responsável pela família, por proteger as meninas. Tinha que estar funcionando não podia me dar ao luxo de desligar assim.

No dia seguinte fui a uma lan house decidida a pesquisar tudo sobre síndrome do pânico, causas e curas, precisava entender para resolver. Li tudo, passei horas ali e entendi que o problema era comportamental, não tinha nada errado com meu corpo para ser consertado, não havia remédio pra isso. O problema estava na forma como eu me via, via o mundo, a vida, interagia e processava os acontecimentos. Eu precisava mudar meu estilo de vida. As crises eram um pedido de socorro interno.

Primeira indicação de tratamento foi a yoga. Por sorte havia um pequeno estúdio de yoga na cidade, uma senhora francesa maravilhosa e super viajada, resolveu parar naquela mini cidade e se estabelecer. Conversei com ela sobre minhas questões e ela manteve a indicação de yoga para auto conhecimento, relaxamento e ampliação da consciência.

Comecei a praticar hatha yoga duas vezes por dia, 2 vezes por semana no estúdio e os outros dias em casa sempre de manhã e à noite. Paralelo comecei a correr 3 vezes por semana. Comprei livros, um dos melhores é do querido Professor Hermógenes. Afinal não eram só posturas, era toda uma forma de viver, pensar, sentir. Estudei muito.

As crises vinham diariamente, normalmente por volta das 18hs quando começa a escurecer, aprendi que elas duravam em média 30 minutos e que tentar controlar era pior então deixava rolar. Chorava loucamente, sentia toda aquela dor pelo corpo, o frio, o aperto no peito, a sensação de morte, ficava exausta. Não foram meses fáceis, mas lá no fundo eu sabia que não ia morrer e que aquilo ia passar logo. Nessas horas tentava fazer as posturas e exercícios respiratórios que havia aprendido e com o tempo isso me ajudou a diminuir o tempo delas.

Em alguns meses estava com minha mudança de volta a cidade grande organizada. Isso trouxe tranquilidade, por mais conturbado que seja morar num grande centro eu sabia que estava dando mais oportunidades as meninas e isso valia a pena.

As crises se mantiveram diariamente por alguns anos e com o tempo foram espaçando. Eu procurava sair de casa antes de ter, ia a igreja messiânica e recebia Johrei todos os dias nesse horário por quase um ano. Foi um ponto de apoio importante.

Dois anos depois me mudei novamente para o sul do país e lá, ainda tendo algumas crises, conheci a medicina chinesa e os florais de Bach e Saint Germain e comecei a me tratar com eles. Foi o que faltava para ampliar meu entendimento. Mudei minha alimentação e forma de ver o alimento, passei a entender de meridianos, horários, comidas. Entendi a importância de um fígado desintoxicado, da energia dos rins forte, dos problemas com o vento, frio de mais, calor de mais, sabores. E nunca mais parei de aprender, depois um pouco sobre  ayurveda, medicina antroposófica… Tô sempre buscando saber um pouco mais e tirar o que me dá mais clareza mental e espiritual, afinal não adianta entender sobre tudo e não entender sobre mim.

As crises acabaram, já deve ter uns 9 anos que tive um início de crise que reverti com exercícios respiratórios.

A síndrome do pânico me obrigou a parar de viver à toa e por prazeres, me fez buscar conhecimento, me entender, me observar, me educar. Foi a coisa mais positiva que já me aconteceu, eu mudei muito, fiquei mais sábia, procurei ser mais seletiva com o que fazia e entrava na minha vida.

Vejo pessoas se definindo por um diagnóstico e na verdade percebo que elas estão morrendo de medo de mudar, de se conhecerem, de irem contra sistemas antigos que foram criadas, hábitos ruins que herdaram. De aceitarem o quanto precisam se dedicar a elas mesmas, a se corrigir. Mudar é uma das tarefas mais difíceis.

A síndrome do pânico me colocou no meu lugar, me fez ver que preciso de manutenção constante  seja física, emocional ou espiritual e sou muito grata por isso.

Até hoje eu procuro me cuidar, criei regras e hábitos para assim me manter bem. Minha vida só melhorou depois da síndrome. Ainda hoje percebo que tudo o que faço é pra não ter nenhuma crise novamente e funciona.

Não tem solução fácil, não tem remédio que cura, tem você desenvolver um novo entendimento, aprender  e por em prática. Quanto mais você resistir em mudar mais tempo ficará doente e com uma vida ruim.

Observe se a sua doença também não é uma grande oportunidade de você se melhorar e crescer.

Aceite e encare os desafios.

Coragem.

 

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